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Explorando os 960 Réis - Terceira Parte

As MOEDAS de 960 Réis.


Os “carimbos de Minas” (contramarcas de 960 Réis) foram os precursores dessas moedas que circularam de 1810 a 1834 com o objetivo principal de por um fim à circulação de moeda estrangeira de prata no pais. Na época, os pesos espanhóis, como eram conhecidos, circulavam livremente no Brasil, sendo aceitos como moeda corrente. Essas moedas, oriundas da Espanha e de suas colonias americanas, começaram a ser nacionalizadas a partir de 1808 quando receberam a contramarca de 960 Réis (Carimbos de Minas) que a seguir foi substituída pela cunhagem no mesmo valor (960 Réis), o que foi feito nas Casas da Moeda do Rio de Janeiro, Bahia e também na Casa de Fundição de Vila Rica em Minas. Foi cunhada em três períodos distintos, a saber:


1)Colônia (1810 a 1818),


2)Reino Unido (1819 a 1822) e


3)Império (1823 a 1834),


sendo que, no Reinado de D. Pedro II, nos anos de 1832, 1833 e 1834, passaram a ser cunhadas em discos próprios e não mais recunhadas sobre "pesos espanhóis".


Diferentemente das contramarcas de 960 Réis que foram aplicadas apenas em moedas hispano-americanas, as cunhagens dos 960 Réis nao obedeciam, à risca, a determinação de cunhar apenas os pesos espanhóis. Como o processo praticamente tornava invisível os traços da moeda base, qualquer moeda de prata que se assemelhava, em tamanho e peso , a um peso espanhol, entrava no processo de cunhagem. Dessa forma, temos 960 Réis cunhados sobre moeda Francesa, Italiana, Holandesa, Austríaca, Inglesa e até Norte-americana, além de outras. Como exemplo, temos 960 Réis cunhados sobre 5 Francos Franceses de Napoleão, sobre 2 ½ Gulden Holandês, sobre Ducatone di Napoli e sobre 1 Dólar Norte-americano (Draped Bust Type – Heraldic Eagle de 1799). Algumas moedas Hispano-americanas que haviam recebido o “Carimbo de Minas”, também foram cunhadas, deixando visíveis os vestigios da contramarca.


Popularmente chamada de “PATACÃO”(*¹), essa moeda transformou-se em um dos mais importantes elementos do colecionismo numismático brasileiro.


Figura: Exemplo de 960 Réis, cunhado na Casa da Moeda da Bahia, onde sao visíveis os traços da moeda que serviu de base (8 Reales de 1807, cunhado no México).

(*¹) – PATACÃO- Moeda Portuguesa de cobre (10 Réis) de D. João II. Nome popular e mesmo oficial dado no Brasil a moeda de 960 Réis. Equivalente a 3 patacas. ( Glossário Numismático – Kurt Prober ) 
PATACA – Moeda brasileira de prata com o valor circulante de 320 Réis. ( Glossário Numismatico – Kurt Prober )


PATACA – Dizem alguns autores ser essa palavra derivada do Arabe “ABUTACA”. Nesse idioma ela se apresenta como “PATAC”. Como “PATARD ou PATAR”, foi pequena moeda de cobre tendo curso em Flandres e na França, onde se empregou como sinônimo de “óbulo” para designar uma moeda sem valor. Alguns numismatas franceses dizem que PATAR pode ser uma corrupção de PETER, forma alemã de Pedro, porque o PATAR de Flandres tem sobre uma das faces , imagem do santo desse nome.


Hoffman, no seu “ Livro das Moedas Reais da França até Louis XVI”, descreve dois “PATARDS” de Louis XI. No Brasil, a palavra “PATACA” foi usada para caracterizar a moeda espanhola de 8 Reales que a princípio valia 320 Réis. Ficou depois, no Sistema Provincial, como denominação da peça desse valor. (Ensaios de Numismatica e Ourivesaria – Mario Barata).


Por possuir muitas particularidades, essa moeda acabou gerando diversas formas de colecionismo, constituindo-se numa fonte quase inesgotável de estudo e pesquisa. A seguir temos as formas de colecionismo mais comuns, entre aqueles que se dedicam a essa moeda.


I) COLEÇÃO POR TIPOS – Leva em consideração somente o período e a Casa onde a moeda foi cunhada, procurando sempre adquirir exemplares no melhor estado de conservação possível. Por ser a forma mais simples de colecionismo e por não exigir conhecimentos profundos sobre o assunto, e a forma mais indicada para quem está iniciando. Sendo assim, uma coleção de 960 Réis por tipo deve conter os seguintes exemplares:



1) Um carimbo de Minas,


2) Um patacão da Colônia com a letra “R”,


3) Um patacão da Colônia com a letra “B”,


4) Um patacão da Colônia com a letra”M”,


5) Um patacão do Reino Unido com a letra “R”,


6) Um patacão do Reino Unido com a letra “B”,


7)Um patacão do Império (D. Pedro I) com a letra “R”,


8)Um patacão do Império (D. Pedro I) com a letra “B”,


9) Um patacão do Império (D. Pedro II) com a letra R, e ainda


10) Um patacão da chamada “série especial”.


Nota: SÉRIE ESPECIAL – Em 1815, Portugal passou a ser um Reino Unido (Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves). Em consequência, ordenou-se que, entre outras coisas, que as moedas, a partir de então, fossem cunhadas com nova legenda e novo desenho alusivos ao novo Reino. Nessa época, D. João ainda era Príncipe Regente e como o novo desenho ainda não havia sido instituído, foi cunhada em 1816, na Casa da Moeda do Rio de Janeiro, uma série de 5 moedas com letra monetária R, onde apenas a legenda foi alterada, demonstrando a elevação do Brasil à condiçao de Reino Unido a Portugal e Algarves. Essa série de 5 moedas, hoje conhecida como “série especial”, é composta de

-2 moedas de cobre (20 e 40 Réis),


-2 moedas de ouro ( 4000 e 6400 Réis ) e


-uma moeda de prata (960 Réis).


Convém ressaltar que o desenho colonial não foi alterado. A alteração do desenho somente se deu em meados de 1818. Em 1817 e parte de 1818, as moedas voltaram a ser cunhadas com legenda e desenho da Colônia.



Figura: Patacao da Colônia com legenda original JOANNES .D. G. PORT. P. REGENS. ET. BRAS. D. (JOANNES.Dei.Gratia. PORTugaliae. Princeps. REGENS. ET. BRASiliae. Dominus)*.

*João pela graça de Deus Príncipe Regente de Portugal e Senhor do Brasil.


No "patacão" da chamada série especial (figura a seguir) a legenda, de anverso, passa a ser: "JOANNES.D.G.PORT.BRAS.ET.ALG.P.REGENS"

(JOANNES.Dei.Gratia.PORTugaliae.BRASiliae.ET.ALGarbiorum.Princeps.REGENS)(*¹), o que demonstra a elevação do Brasil a condição de Reino Unido a Portugal e Algarves. (Patacão da série especial ).
(*¹) João pela graça de Deus Príncipe Regente de Portugal, Brasil e Algarves.
Figura: 960 Réis de 1816R, série especial, com desenhos da Colinia, mas ja fazendo parte do Reino Unido.


Em 1817 e parte de 1818, as moedas voltaram a ser cunhadas com o desenho colonial antigo e legenda original - JOANNES.D.G.PORT.P.REGENS.ET.BRAS.D - apesar do Brasil não ser mais uma Colônia.
Posteriormente, com a coroação (1818), D. João passou da condição de Príncipe Regente para a condição de Rei sob o título D. João VI, e aprovou o novo desenho e a nova legenda (JOANNES.VI.D.G.PORT.BRAS.ET.ALG.REX) para as moedas que seriam cunhadas no Reino Unido.
Dessa forma, foram cunhados (com letra monetária R), no período que vai de 1816 a meados de 1818 , patacões com:
a) Desenho Colonial e legenda original, tendo D. João como Príncipe Regente.
b) Desenho Colonial e legenda alusiva à elevação do Brasil a categoria de Reino Unido, tendo D.João como Príncipe Regente (1816R – série especial)
c) Desenho Colonial, retornando à legenda original (1817R e 1818R), ainda com D. João como Príncipe Regente, apesar do Brasil não ser mais considerado uma Colônia.
d) Desenho e legenda novos (Reino Unido – 1818R).
Assim sendo, existem dois tipos diversos de patacões com a data 1816R, um tipo com a data 1817R e dois tipos com a data 1818R.

Figura: Patacão 1816R da serie especial com desenho da Colônia e legenda alusiva ao novo Reino Unido (D.Joao Príncipe Regente).





Figura: Patacão 1817R, com desenho e legenda da Colônia, cunhagem do Reino Unido ( D.João Principe Regente).





Figura: Patacão 1818R, com desenho e legenda da Colônia, cunhado no Reino Unido (D.João Príncipe Regente).




Figura: Patacão 1818R, com desenho e legenda novos do Reino Unido (D.João VI, Rei de Portugal, Brasil e Algarves).


2) COLEÇÃO POR DATAS – É o tipo de colecionismo mais comum entre os numismatas. Os poucos catálogos brasileiros, em sua maioria, apresentam as moedas dispostas, inicialmente pelo metal em que foram confeccionadas (ouro, prata, cobre, etc) e a partir daí, são ordenadas de acordo com as datas e em cada data, vez por outra, são apresentadas as variantes clássicas. Esta forma de colecionismo requer um investimento consideravelmente maior que aquele dispensado à coleçao por tipos, sem contar que algumas datas sao consideradas raríssimas ou mesmo peças únicas, o que praticamente impossibilita o “fechamento” de uma coleção completa de moedas de 960 Réis (por datas).
É indicada aos colecionadores que por, presumivelmente, já possuirem uma coleção por tipos com muitas peças, já adquiriram experiência e conhecimento suficientes para se dedicarem a esta forma de colecionismo.


3)COLEÇÃO POR VARIANTES – Como o processo de cunhagem era mecânico, exigindo constantes trocas dos cunhos de anverso e reverso, devido a empastamento (desgaste) ou até pela rachadura e quebra dos mesmos, diversas matrizes de uma mesma data eram feitas. Como os cunhos eram abertos à mão, era praticamente impossível que um cunho fosse igual ao outro. Alguns pesquisadores como Lupércio Gonçalves Ferreira (no seu Catálogo das Variantes dos Patacões da Casa da Moeda do Rio de Janeiro) e Renato Berbert de Castro (no seu Catálogo das Variantes dos Patacões da Casa da Moeda da Bahia), já relacionaram e cadastraram, com base na observação de um grande número de exemplares, uma grande quantidade de variantes. Porém, esse número não pode ser considerado definitivo uma vez que, volta e meia, surge uma nova variante devido à combinação de um determinado cunho de anverso com outro de reverso, ou mesmo devido a um cunho novo (o que é mais raro). Esse tipo de colecionismo requer alguns conhecimentos básicos dos elementos que constituem os cunhos de anverso e reverso de um patacão tais como a perolagem da coroa e as partes da esfera armilar. Além dos catálogos especializados citados acima, boas lentes ou uma lupa estereoscópica, são recomendadas. Como algumas variantes tornaram-se clássicas como o “COROA de 640 RÉIS” e o “IGNO” entre outras, estas passaram a ser incluídas em catálogos não especializados no assunto. É difícil avaliar as outras variantes! Como regra, adotam-se preços diferenciados entre as variantes comuns (C), as raras (R), as muito raras (RR) e as raríssimas (RRR).



Figura: Patacão com Coroa de 640 Réis. Variante 4A (Catálogo Descritivo dos 960 Réis da Casa da Moeda da Bahia) dos autores José Serrano Junior e Flávio Barbosa Rebouças. Florões intercalados por pontos, Frontal com uma pérola e Legenda apresentando a serifa do A de JOANNES com reentrância no "O". No catálogo Berbert de Castro, a mesma variante aparece com o número 12.

Fonte MBA Editora