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Em um passado recente - As moedas paralelas provinciais argentinas

Uma nota de dois patacones, mais ou menos equivalente à nota de 2 pesos. Na época eram símbolo da crise argentina. Atualmente são objeto de colecionadores numismáticos.
Durante quase três anos – de 2001 a 2003, no meio da pior crise financeira, social e econômica da Argentina – o país teve 14 “moedas paralelas”, ou “pseudo-moedas”, além do próprio peso, a moeda nacional (e, de quebra, o dólar, cujo intenso uso transformou a Argentina no país com maior número de dólares nas mãos da população depois dos EUA e a Rússia). Emitidas pelos governos provinciais, eram usadas como se fossem dinheiro normal. Elas foram a alternativa encontrada pelas províncias para poder escapar da falência total em que estavam mergulhadas.
As “moedas paralelas” são personagens antigas no cenário argentino. Nos anos 80, Carlos Menem, na época governador da província de La Rioja, emitiu bônus com a efígie do cruel caudilho Facundo Quiroga, a quem admirava.
No entanto, este tipo de emissões monetárias provinciais somente adquiriram proporções fora do costumeiro quando, a meados de 2001 – no meio da falência generalizada – mais da metade das províncias começaram a imprimir suas próprias moedas. Geralmente, não contavam com respaldo financeiro algum.
Na época, além dos pesos oficiais, até o governo federal teve que emitir uma moeda paralela própria, o denominado “Lecop”, com o qual pagava os funcionários públicos federais, os fornecedores do Estado, além de realizar envios de fundos às províncias.
Rápidamente, as “moedas paralelas” tornaram-se em mais de um terço do total de circulante monetário na Argentina. Várias delas eram aceitas em todo o território argentino, principalmente o “patacón” (da província de Buenos Aires) e o “lecor” (de Córdoba).
O Fundo Monetário Internacional (FMI) foi um feroz crítico das “pseudo-moedas”, alegando que as províncias estavam esquivando a realização dos ajustes fiscais que o organismo financeiro exigia. No final de 2001, quando colapsava o governo do então presidente Fernando De la Rúa (1999-2001) elas constituíam 15,8% do circulante monetário na Argentina. Ao longo do ano 2002, apesar das pressões do FMI, estas emissões continuaram se espalhando. A meados desse ano, representavam 38% do circulante. Em 2003, elas equivaliam 31% do total.
Muitas delas, emitidas por governos sem credibilidade, valiam até 50% menos do que sua denominação numérica. Os “patacones”, graças ao peso que a província de Buenos Aires possuía na economia nacional, conseguiram manter uma paridade de um a um com o peso (e durante um tempo, até superou a moeda nacional).
As emissões dos bonaerenses “Patacones” chegaram a um valor equivalente a US$ 900 milhões.
Córdoba emitiu os “Lecor” em dezembro de 2001. A moeda circulou até 2003, quando foi resgatada pelo governo provincial. Ao longo de dois anos, circularam Lecors com valor equivalente a US$ 300 milhões.
No entanto, os “Cecacor”, da empobrecida província de Corrientes, não chegavam à metade de seu valor numérico. Um funcionário público provincial que ganhasse 1.000 “cecacors” mensais, na verdade tinha nas mãos nada mais do que pouco mais de 450 pesos. Na pior fase da crise, os cecacors somente valiam na prática ao redor de 33% de seu valor numérico.
Moeda paralela emitida pelo próprio Estado argentino.
A própria União, falida, teve que emitir os Lecops. O total desta moeda paralela equivaleu a US$ 1,06 bilhão.
Em 2003, o governo do então presidente Eduardo Duhalde implementou o Programa de Unificação Monetária, que realizou o resgate das pseudo-moedas. Desta forma, o peso voltou a ser a única moeda em circulação no país.
Um exemplar de Cecacor, a moeda paralela da província (arruinadíssima) de Corrientes. Esta era uma das menos valorizadas moedas paralelas argentinas.
PARADOXOS – As “moedas paralelas” ou “pseudo-moedas” eram desprezadas ou olhadas como párias ou bastardas. Mas, uma destas moedas, os bônus “Patacones”, tornou-se logo após o corralito e o corralón na nova diva do circulante monetário argentino.
O motivo para esta mudança de status quo foi o congelamento dos depósitos bancários, que deixou fora do páreo cotidiano uma ampla circulação de pesos e dólares, as moedas fortes do país.
O fato é que na categoria de “pseudo-moedas”, os bônus não entraram dentro do confisco, já que somente podiam ser “custodiados”, e não “depositados” nos bancos. O resultado foi que na província de Buenos Aires a cotação do Patacón subiu para 1,10 peso. E diversos comércios anunciavam descontos para quem pagasse em patacones.
Estes bônus circularam com maior liberdade que os movimentos realizados através de cartões de crédito, cheques ou cartões eletrônicos de débito. Sua vantagem era que os patacones estavam isentos de impostos, algo que não ocorria com os cheques.
No entanto, os patacones estiveram sempre à beira do precipício. A segunda emissão de notas – a seria B – tinha qualidade menor de papel e de tinta, fato que desagradava os argentinos, já que parecia “menos dinheiro” do que já era. Uma terceira emissão de patacones esteve a ponto de ser lançada em meados de 2002. O governo bonaerense havia anunciado que, por falta de dinheiro, somente poderia imprimir um lado da nota. Mas, perante a reação negativa que gerou, o projeto foi arquivado.
Fonte de pesquisa: Clarin.com