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A Cunhagem Islâmica no Oriente Médio, na Ásia Central, no Norte da África e na Península Ibérica, Séculos. VII e XV.

Entre a morte de Maomé em 632 e cerca de 750, exércitos islâmicos conquistaram domínios que se estendiam da Península Ibérica e do norte da África até a Ásia central e a fronteira da Índia, incluindo o Egito, a Arábia, grande parte do Oriente Médio e da Pérsia e do Afeganistão. Durante o primeiro meio século de conquistas, ocorreram poucas mudanças na cunhagem dos territórios ocupados. Nas regiões do antigo Império Persa, os governadores árabes limitaram-se a adicionar pequenas alterações nas legendas às dracmas sassânidas, há séculos em circulação, como também fariam no Tabaristão, no séc. VIII. Na Síria e no Egito continuaram sendo utilizados os “solidi” bizantinos de ouro, que seriam objeto de imitações árabes somente no final do séc. VII. Foram, igualmente cunhadas, na mesma época, moedas de cobre sem a eliminação dos tipos cristãos do follis bizantino (fals – plural fulus), às vezes apenas com o acréscimo do nome da oficina monetária em árabe.A dinastia omíada, de origem síria, a primeira de califas islâmicos, foi estabelecida em 661 d.C., mas uma reforma ampla somente seria implantada por Abd al-Malik em 696 e 697. O novo sistema monetário incluiu o “dinar” de ouro de 4,25g, com peso ligeiramente inferior ao do solidus, o “dirham” de prata de 2,8 ou 2,9g, e o “fals”, uma pequena peça de cobre. As moedas “árabo-bizantinas” e “árabosassânidas” foram recolhidas para recunhagem. A adoção inicial da figura do califa de pé foi abandonada por ser contra a ortodoxia, apesar do Alcorão não proibir formalmente a arte representativa de seres vivos. Durante séculos, somente inscrições constariam das moedas islâmicas, normalmente de caráter religioso, além da indicação da casa da moeda e da data por extenso. O nome das autoridades emissoras só apareceria mais tarde, no séc. VIII. A escrita cúfica (relacionada a Kufa, no Irã), a caligrafia árabe inicial, permitia uma ornamentação muito decorativa. Seria, mais tarde, substituída pela escrita cursiva, a partir dos sécs. XII e XIII. A partir do séc. IX, o dinar islâmico tornou-se a moeda comercial “por excelência” do Oriente Médio Mediterrâneo em competição com o solidus bizantino. Em 750 teve início a dinastia abássida, uma linhagem da Pérsia que introduziu a cultura persa nos demais domínios islâmicos, iniciando uma época de grande esplendor e prosperidade. Abriram-se novas rotas comerciais, intensificaram-se a produção e o consumo de artigos de luxo e o conhecimento científico foi desenvolvido em paralelo a notáveis realizações artísticas e arquitetônicas. O califa al-Mansur fundou Bagdá. Harun al-Rashid, em cujo reinado foram compostos os contos das “Mil e Uma Noites”, chegou inclusive a enviar uma embaixada com presentes para Carlos Magno. A partir de seu período de governo, o nome do califa, e às vezes o do grão-vizir ou o do herdeiro do trono, passaram a constar das inscrições nas moedas. Al-Mutawakkil (847-861) construiu os grandes palácios e mesquitas de Samarra, para onde a capital do califado foi temporariamente transferida. Numerosas oficinas cunharam os dinares e dirhams abássidas. Gradualmente, porém, o poder do califa foi sendo desgastado pelo surgimento de dinastias rivais com diferentes graus de dependência em relação ao governo central. Entre estas destacam-se inicialmente os aglábidas, governadores do norte da África, grandes construtores que desenvolveram Kairuan e que, com o tempo, tornaram-se totalmente independentes; no Egito, no séc. IX, destacaram-se os tulunidas, e depois os fatímidas, dinastia xiita, com monarcas que se autodenominaram califas, e não reconheciam a autoridade do califa sunita de Bagdá. O Cairo, capital fatímida, logo distinguiu-se por seus artigos de arte de luxo, incluindo cristal de rocha trabalhado, cerâmicas e têxteis de alta qualidade. No sul da Arábia, no séc. X, os rassidas emitiram dinars, dirhams e uma pequena fração de prata estritamente local, o sudaysi. Nas regiões orientais, os samânidas na Transoxiana, os buíidas no Irã e na Mesopotâmia e depois os gaznavidas no atual Afeganistão, também tornaram-se, de fato, ainda que não nominalmente, independentes do califado de Bagdá, exercendo sucessivamente, do séc. IX ao séc. XI, verdadeiros protetorados sobre a Pérsia e a Mesopotâmia. Essas dinastias preservaram a cunhagem de dinars e dirhams do tipo tradicional, mas também emitiram um múltiplo de dirham de prata. Os Vikings mantiveram um ativo comércio por vias terrestres e fluviais com os domínios islâmicos e estima-se que, no séc.X, talvez cerca de 100 milhões de dirhams samânidas tenham sido exportados da Ásia Central para a Rússia e o Báltico. Para os Vikings, essas moedas valiam pelo seu peso e muitas vezes eram recortadas em peças menores. A partir do séc. IX, diversas tribos do centro da Ásia penetraram gradualmente nos domínios abássidas, inicialmente como mercenários ou guarda-costas do califa, mas assumindo aos poucos posições de destaque na administração e no exército. Em 1039, Togrul Beg, turco seldjúcida, declarou-se independente dos gaznavidas, conquistou o Irã e tomou Bagdá em 1055, colocando o califa sob sua tutela. A dinastia dos Grãoseldjúcidas duraria até o final do séc. XII. A partir do séc. XII, na Mesopotâmia e na Síria, várias dinastias turcomanas emitiram moedas de cobre com a representação de imagens baseadas em moedas gregas, romanas e bizantinas, entre as quais os Artuquidas de Mardin, os Zangidas de Mossul e Sinjar e os Lulúidas de Mossul. Todas elas emitiram moedas de cobre com a denominação de “dirham”, possivelmente cunhadas para passar por dirhams de prata em função da escassez do metal que afetou o Oriente Médio na época e levou ao enfraquecimento do teor de metal dos dirhams de prata emitidos em outras regiões islâmicas. Quando o Irã foi invadido pelos mongóis, no séc. XIII, já havia dois séculos  que não se cunhavam moedas de prata de boa qualidade. O teor de prata dos dirhams foi reduzido de uma percentagem de mais de 95% nos anos 950 a 1000 para 60-70% nas décadas seguintes, com casos de apenas cerca de 20% após 1050. Gêngis Khan, após unificar as tribos mongóis, invadiu a Ásia central e os domínios islâmicos, onde seus sucessores se estabeleceriam de forma duradoura. Existe um raro dirham, talvez cunhado em Ghazna, em seu nome e no do califa al-Nasir. Em 1258, Al-Musta´sim, o último califa abássida, foi capturado e executado pelos mongóis, que tomaram Bagdá e fundaram a dinastia ilcânida no Irã atual, passando a cunhar moedas de prata e de ouro de elevado teor de metal precioso. Adotaram-se novas legendas do Alcorão para as moedas e a escrita Uigur também foi ocasionalmente utilizada. Para tentar contornar a situação financeira temporariamente crítica do império mongol ilcânida, Gheikatu tentou banir a moeda metálica e substitui-la pelo “ch’ao”, papel-moeda baseado no modelo chinês, com o texto da profissão de fé islâmica. A experiência foi um desastre. O comércio ficou paralisado, e o ch´ao teve que ser recolhido, voltando-se à moeda metálica. Os mongóis da Horda Dourada, ou jújidas, ocuparam parte da Ásia central e o sul da Rússia, isolando por dois séculos os principados russos do restante da Europa. Cunharam “puls” de bronze de baixa qualidade. Em meados do séc. XIV, a dinastia muzafarida controlou partes do Irã, emitindo duplos dirhams de prata de boa qualidade. Outra dinastia mongol, a dos timúridas, fundada pelo grande conquistador Tamerlão, governou o Irã e a Ásia central de 1370 a 1501 e emitiu dirhams, e depois “tankas” de prata, (moedas menores e mais espessas que o dirham tradicional. Os fatímidas do Egito foram derrubados por Saladino, general de origem curda que fundou a dinastia aíubida e retomou Jerusalém dos cruzados latinos. Saladino e seus sucessores controlaram o Egito e a Síria até 1250, cunhando dinars de ouro, dirhams de prata e fulus de cobre. Os aiúbidas foram, por sua vez, derrubados pelos mamelucos, uma dinastia de sultões de origem turca (ramo “bahri”) e depois circassiana (ramo “burji”), de antigos escravos militares promovidos ao poder pelos seus pares. (Nos sécs. XII e XIII os cruzados latinos emitiram em Trípoli e no reino de Jerusalém besantes de ouro copiados de dinares islâmicos que somente em 1250, em função de reclamações do papa, passaram a incluir símbolos cristãos). Durante o período mameluco o Cairo tornar-se-ia uma das maiores cidades do mundo medieval, e, após a queda de Bagdá, o centro da cultura árabe islâmica. No séc. XV, os mamelucos cunharam no Cairo “ashrafis” de ouro a partir de al-Ashraf Barsbay, que visavam competir com o ducado veneziano, que tinha o mesmo peso. Temporariamente independentes, os rasulidas do Iêmem produziram no séc. XIV uma cunhagem abundante, notadamente em Áden. Os seldjúcidas da Anatólia, que criaram o sultanato de Rum, usaram prata da região e também cunharam moedas de elevado teor de metal precioso. A partir dessa época, a prata começou a substituir o ouro, que fora, até então, a base dos sistemas monetários do Oriente Médio. Os eretnidas controlaram temporariamente a Anatólia central, mas os turcos otomanos foram gradualmente conquistando toda a Anatólia, substituindo os seldjúcidas e as demais dinastias. De início, atacaram o que restava do império bizantino, tomando Constantinopla (Istambul) em 1453, e o “império” de Trebizonda nos anos seguintes. Cunharam inicialmente akches de prata e moedas de cobre, e, mais tarde moedas de ouro (altun), estas somente a partir da segunda metade do séc. XV. Até o final do séc. XV, os Aq Qoyunlu ou “Turcomanos das ovelhas brancas” mantiveram-se independentes em regiões da Anatólia, do Iraque e do Irã e emitiram moedas de prata, muitas das quais contramarcadas sobre peças timúridas. Na Península Ibérica, conquistada dos visigodos de forma fulgurante a partir de 711, dinastias islâmicas controlaram territórios até 1492. O único sobrevivente da família omíada, Abd al-Rahman I (755-789), fundou o emirado omíada de Córdoba, que foi transformado em califado por Abd al-Ramahn III. Os emires, e depois os califas, cunharam dirhams de prata em grande quantidade e moedas de ouro menos freqüentemente. No séc. XI, após 1031, com o fim do califado, o poder dividiu-se entre diversos “reinos de taifas”, destacando-se, entre outras, a dinastia dos abádidas de Sevilha, mas duas dinastias de origem norte-africana, os almorávidas e os almôadas, conquistaram sucessivamente partes da Península Ibérica, em constantes confrontos com os reinos cristãos do norte empenhados na “Reconquista”. Nesse período emitiram-se moedas de ouro de teor elevado, qirats de prata de dimensão reduzida e pequenos dirhams de prata quadrados, depois imitados pelos reinos cristãos (imitação conhecida como millares). Após a década de 1230, a dinastia Nasrida reinou até 1492 sobre domínios cada vez menos extensos no chamado Reino de Granada. Os nasridas emitiram principalmente dirhams e ½ dirhams quadrados, além de moedas de ouro, até a conquista do reino pelos “Reis Católicos”. Também cunharam um múltiplo de dirham muito raro). No norte da África, com a derrocada dos almôadas, do séc. XIII ao XV, os Marinidas e Hafsidas ocuparam o Marrocos e a Tunísia, onde cunharam moedas de ouro muito atraentes.