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O nascimento e morte do tostão

Introduzido no séc. XVI por D. Manuel I, circulou durante mais de 500 anos. Originalmente era uma bonita moeda de prata, viu terminar os seus dias em 1942 no Brasil e em 1979 em Portugal como uma minúscula moeda de alumínio.
Era então motivo de chacota e corriam as anedotas sobre ela:

Chamam-lhe o “Marcelino” em referência a Marcelo Caetano, então Primeiro-ministro do Estado Novo (destituído pelo golpe militar de 25 de Abril de 1974);

Era denominado de “moeda flutuante” pois, posto cuidadosamente à superfície de um copo de água, flutuava suspenso apenas pela tensão superficial da água;

Na época colocava-se um punhado de “marcelinos” na palma da mão, soprava-se e dizia-se que o número de moedas que ficasse na mão, era igual ao número de anos que Marcelo Caetano se ia aguentar no governo.

HISTÓRIA

Quase até ao final do séc. XV há falta de metais preciosos na Europa. A moeda é por isso cunhada sobretudo em bolhão, uma liga de baixo teor de prata. 
A moeda medieval é normalmente de baixa espessura a fim de aumentar a duração dos cunhos.

É pois uma grande novidade quando, em 1474, é pela primeira vez cunhada no Ducado de Milão uma bonita moeda com grande teor de prata, grande módulo e espessura e em que a cabeça do governante aparece sem qualquer coroa ou seja, de “testa nua”; daí serem as moedas apelidadas de TESTONES e , posteriormente,TOSTÕES.

O seu sucesso faz com que de seguida a moeda seja copiada por outros ducados e depois por outros estados europeus: Em França Luís XII emite em 1513 o TESTON DE DEZ SOLDOS e, em Inglaterra, Henrique VIII cunha em 1504 o XELIM DE DOZE PENCE, inicialmente denominado TESTOON ou TESTON.

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NASCIMENTO EM PORTUGAL

Corria o reinado de D. Manuel I. O obsoleto sistema monetário em uso era baseado no REAL BRANCO; era um sistema confuso em que o valor da moeda era fixo por decreto real.

Em 1504 D. Manuel I reformula todo o sistema monetário com base no sistema decimal e com uma nova unidade monetária: O Real (plural Reais). 

O Cruzado era a moeda de conta nas grandes transações comerciais. Nas pequenas transações era o Vintém (20 Reais) a moeda de conta. Tudo isto é tido em conta nos valores do novo sistema. 

Pela primeira vez aparecem algumas moedas com marquilha (Valor da moeda): Português de prata (X Vinténs), Tostão (V Vinténs) e o Real (R).

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(1) No início do reinado, 1496, foi fixado em 390 Reais Brancos. Em 1517 passou a valer 400 Reais.
(2) Esta moeda só existe nas crónicas e nunca foi cunhada sendo que os dois exemplares no Museu Numismático são moedas de fantasia: Quarto de Cruzado, Moeda de ouro, do tamanho de hum Vintém, lavrou-a ElRey D. Manoel depois da morte da Rainha D. Maria ſua mulher, e a trazia na bolſa para dar aos pobres; valia 100 réis.(In “Historia genealógica da Casa Real Portugueza” de António Caetano de Sousa).
(3) A marquilha XX só aparece a partir de D. João III.

Seguiremos agora com os tipos de tostões cunhados ao longo da história de Portugal, por cada rei:

* TOSTÕES DE D. MANUEL

Moeda em prata de 916,6‰ com 28 mm de diâmetro e um peso de 9,3 a 10 gramas. Na frente quase todas apresentavam uma marquilha, V, significando cinco vinténs. No verso apresentavam a Cruz de Cristo e, pela primeira vez, a legenda *IN*HOC*SIGNO*VINCES.
Foram cunhados em Lisboa e no Porto, com 67 tipos diferentes.

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* TOSTÕES DE D. JOÃO III

Moeda em prata de 916,6‰ com 30 mm de diâmetro e um peso de 9,3 a 10 gramas. Na frente quase todas apresentavam uma marquilha, V, significando cinco vinténs. Inicialmente ostentavam a Cruz de Cristo mas, pela Lei de 10 de Julho de 1555, passaram a ostentar a Cruz de Avis. Ambos foram cunhados em Lisboa e no Porto e há mais de 100 tipos conhecidos.

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* TOSTÕES DE D. SEBASTIÃO

Moeda em prata de 916,6‰ com 30 mm de diâmetro e peso de 8,8 gramas. Sem marquilha. Inicialmente apresentam a Cruz de Avis mas, pela Lei de 22 de Abril de 1570 voltam a ostentar a Cruz de Cristo.
Ambos cunhados em Lisboa e no Porto e com cerca de 60 tipos conhecidos.

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* TOSTÕES DE D. HENRIQUE

Moeda em prata de 916,6‰ com 30 mm de diâmetro e 8,65 gramas de prata.
Sem marquilha. 
Conhecem-se dois tipos, ambos cunhados em Lisboa.

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* TOSTÕES DOS GOVERNADORES DO REINO

Moeda em prata de 916,6‰ com 30 mm de diâmetro e 6,65 gramas de prata.
Sem marquilha. 
Apenas se conhece um tipo.

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* TOSTÕES DE D. ANTÔNIO I

Moedas em prata de 916,6‰ que inicialmente tinham 30 mm de diâmetro e 8,6 gramas de prata. Sem marquilha. 
As vicissitudes do reinado obrigaram a reduzir o seu diâmetro para 24mm e depois para 22mm. Apenas uma foi cunhada em Lisboa; as restantes foram cunhadas em Angra do Heroísmo de onde D. António partiu para o exílio.
D. Filipe I proibiu a posse destas moedas e mandou entregá-las no prazo de 15 dias; a pena era a forca. Devido à proibição da sua posse e às reduzidas cunhagens, são todas muito raras. 
Foram também carimbados com um “Açor” alguns exemplares dos reinados anteriores.

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* TOSTÕES DE D. FILIPE I

Moeda em prata de 916,6‰ de 32mm de diâmetro e 8,19 gramas. Sem marquilha. 
Todas cunhadas em Lisboa. Há 28 tipos conhecidos.

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* TOSTÕES DE D. FILIPE II

Moeda em prata de 916,6‰ de 32 mm de diâmetro e 8,19 gramas. Sem marquilha. 
Todas cunhadas em Lisboa. Há 49 tipos conhecidos.

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* TOSTÕES DE D. FILIPE III

Moeda em prata de 916,6‰ de 30mm de diâmetro e 8,19 gramas. Sem marquilha. 
Todas cunhadas em Lisboa. Há 30 tipos conhecidos.

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* TOSTÕES DE D. JOÃO IV

Pela Provisão de 14 de Fevereiro de 1641 foram cunhados em prata de 916,6‰ de 28 mm de diâmetro e 8,19 gramas. Sem marquilha. Cunhadas em Lisboa. Há 12 tipos conhecidos. Pela primeira vez há algumas com a data de 1641. 

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Pela Provisão de 1 de Julho de 1641 mantêm o módulo mas o peso é reduzido para 6,74 gramas. São cunhados em Lisboa com as datas de 1641 e 1642. Há 19 tipos conhecidos.

Pelo Alvará de 8 de Junho de 1643 o peso é reduzido para 5,73 gramas, com 26mm de diâmetro. São cunhados em Lisboa, Porto e Évora e não têm data. Há 53 tipos conhecidos.

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* TOSTÕES DE D. AFONSO VI

Pela Lei anterior, em prata de 916,6‰ com 26 mm de diâmetro e 5,73 gramas. Sem marquilha. Cunhados em Lisboa com 5 tipos conhecidos e sem data.
Pela Lei de 22 de Março de 1663 passam a 24 mm e 4,58 gramas. Não têm data e há 20 tipos conhecidos.
Com o Carimbo “100” foram marcados vários “LXXX reais” de reinados anteriores.

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* TOSTÕES DE D. PEDRO REGENTE

Pela Lei de 22 de Junho de 1676, cunhados em prata de 916,6‰ com 24 mm e 4,58 gramas. Sem marquilha. Apenas se conhece um exemplar cunhado em Lisboa.

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INÍCIO DA CUNHAGEM MECÂNICA - 1677

Em finais de 1677, era D. Pedro o Príncipe Regente em nome de seu pai D. Afonso VI. A proposta de D. Luís de Menezes, terceiro Conde da Ericeira e Vedor da Fazenda, é aceite por D. Pedro e dá-se início à cunhagem mecânica usando para o efeito uma prensa de balancé, ou balancim.

* TOSTÕES DE D. PEDRO REGENTE (Continuação)

Pela Lei de 22 de Junho de 1676, com 24 mm e 4,32 gramas. Sem marquilha. Cunhados em Lisboa, sem data. Há 7 tipos conhecidos.

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* TOSTÕES DE D. PEDRO II

Decreto de 28 de Setembro de 1683 cunhados em prata de 916,6‰ com 24 mm e 4,32 gramas. Sem marquilha. Cunhados em Lisboa, conhecem-se dois tipos.

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Lei de 4 de Agosto de 1688

Subitamente, os valores da prata e do ouro subiram cerca de 20%. Isso colocou um grande problema à Tesouraria Real pois não era possível recolher rapidamente toda a moeda a fim de a fundir e fazer nova moeda. Assim, pela lei de 4 de Agosto de 1688, foram fixados novos valores para as moedas de ouro e prata, incrementando o seu valor em cerca de 20 %. 
A lei foi genial mas, quando se esperava que lentamente fossem recolhidas as antigas moedas e cunhadas novas com o peso reduzido, ficámos durante quase 150 com um aberrante sistema monetário em que as moedas de cobre tinham o seu valor facial, e as de ouro e prata, apesar de ostentarem um valor facial, valiam cerca de 20 % mais. 
Ou seja:

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(*) Valores em Réis

Para aumentar a confusão monetária, D. Pedro II manda ainda carimbar Cruzados velhos com “500”e Meios Cruzados velhos com “250”. Significava que, simultaneamente, corriam Cruzados com marquilha “400” a valer 480 réis, Cruzados com carimbo “500” valendo 500 réis, Meios Cruzados com marquilha “200” valendo 240 réis e Meios Cruzados com carimbo “250” valendo 250 réis. 
Com D. João V, apesar de se terem introduzido novas espécies monetárias em ouro, a regra dos 20% manteve-se. Só em 1853, 147 anos depois e com a introdução do sistema decimal, é que este original “desenrascanço à portuguesa” finalmente desapareceu.

* TOSTÕES DE D. PEDRO II (nova lei): 

Em prata de 916,6‰ com 22 mm de diâmetro e 3,46 gramas. Marquilha “LXXX”. Cunhados em Lisboa, sem data, conhecidos 19 tipos. 
Também cunhados no Porto com datas de 1689, 1690, 1691, 1692, 1693, 1696, 1697, 1699, 1700 e 1702.

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* TOSTÕES DE D. JOÃO V

Em prata de 916,6‰ de 21 mm de diâmetro e com 3,27 a 3,6 gramas. Todos com serrilha e marquilha “LXXX”. Conhecem-se 14 tipos cunhados em Lisboa todos sem data.

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No Porto foi cunhado apenas um tipo com data de 1707.

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* TOSTÕES DE D. JOSÉ I

Em prata de 916,6‰ com 22 mm de diâmetro e 3,06 gramas. Marquilha “LXXX”. Conhecem-se 11 tipos, todos cunhados em Lisboa e sem data.

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* TOSTÕES DE D. MARIA I E D. PEDRO  III

Em prata de 916,6‰ com 22 mm de diâmetro e 3,06 gramas. Marquilha “LXXX”. Conhecem-se 3 tipos, todos cunhados em Lisboa e sem data.

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* TOSTÕES DE D. MARIA I

Em prata de 916,6‰ com 22 mm de diâmetro e 3,06 gramas. Marquilha “LXXX”. Conhecem-se 7 tipos, todos cunhados em Lisboa e sem data.

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* TOSTÕES DE D. JOÃO REGENTE

Em prata de 916,6‰ com 22 mm de diâmetro e 3,06 gramas. Marquilha “LXXX”. Conhecem-se 3 tipos, todos cunhados em Lisboa e sem data.

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* TOSTÕES DE D. JOÃO VI

Em prata de 916,6‰ com 22 mm de diâmetro e 3,06 gramas. Marquilha “LXXX”. Conhecem-se 3 tipos, todos cunhados em Lisboa e sem data.

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* TOSTÕES DE D. PEDRO IV

Em prata de 916,6‰ com 22 mm de diâmetro e 3,06 gramas. Marquilha “LXXX”. Conhece-se um tipo, cunhado em Lisboa e sem data.

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* TOSTÕES DE D. MIGUEL I

Em prata de 916,6‰ com 22 mm de diâmetro e 3,06 gramas. Marquilha “LXXX”. Conhecem-se dois tipos, cunhados em Lisboa e sem data.

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SISTEMA DECIMAL - Lei de 24 de Abril de 1835 

Quando em 1834 D. Maria II toma finalmente posse do trono, para além das cunhagens regulares dos reinados anteriores, há muita moeda cunhada para fazer face às necessidades da guerra e também para afirmação política.
Correm os patacos de Bronze cunhados por D. João Regente, D. João VI, D. Pedro IV, D. Miguel e os cunhados no Porto em nome de D. Maria II.

Enquanto D. Miguel é rei são fundidos os canhões e os sinos da ilha Terceira para cunhar, em nome de D. Maria II, os 80 reis de 1829 (Maluco). Em 1830 são cunhados em Londres os V e os X réis de cobre (D. Maria II). Em 1833 são cunhados no Porto, durante o cerco, os V, X e 40 Réis - Série LOIOS de D. Maria II. Em 1834 são carimbados os REALES A OCHO espanhóis para os valorizar em 870 réis.

Há por conseguinte muita moeda em circulação, das mais variadas origens e muita dela é falsa. Excepto em Inglaterra, todos os países Europeus utilizam já o sistema decimal.

Há necessidade de cunhar nova moeda pelo que é a altura ideal para introduzir o sistema decimal o que é feito pela Lei de 24 de Abril de 1835. Mantêm-se as legendas em latim. A partir desta data todas as moedas têm marquilha, sendo as de cobre em algarismos romanos e as de prata e ouro em algarismos arábicos 

* TOSTÕES DE D. MARIA II

Não se cunharam tostões pela lei antiga. Cunharam-se em prata de 916,6‰ com 19 mm de diâmetro e 2,96 gramas. Marquilha “100 RÉIS” e com as datas de 1836, 1838, 1843, 1851, 1853 e (1853 Proof).

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* TOSTÕES DE D. PEDRO V

Cunharam-se em prata de 916,6‰ com 20 mm de diâmetro e 2,50 gramas. Marquilha “100 RÉIS” e com as datas de 1857, 1858, 1859, (1859 Proof) e 1861.

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* TOSTÕES DE D. LUÍS I

Cunharam-se em prata de 916,6‰ com 20 mm de diâmetro e 2,50 gramas. Marquilha “100 RÉIS”. Conhecidos 22 tipos com datas de 1862 a 1889.

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* TOSTÕES DE D. CARLOS I

Pelo Decreto de 7 de Maio de 1891 cunharam-se em prata de 916,6‰ com 20 mm de diâmetro e 2,50 gramas. Marquilha “100 RÉIS”. Conhecidos 7 tipos com datas de 1890 a 1898.

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Pela Lei de 21 de Julho de 1899 cunharam-se em cuproníquel com 23mm de diâmetro e 4,00 gramas; marquilha “100 RÉIS” apenas um tipo com data de 1900. 

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A partir de D. Carlos todas as moedas têm a legenda em Português e não há mais algarismos romanos.

* TOSTÕES DE D. MANUEL II

Pela Lei de Setembro de 1908 cunharam-se em prata de 835‰ com 20 mm de diâmetro e 2,50 gramas. Marquilha “100 RÉIS”. Conhecidos 3 tipos com datas de 1909, 1910 e (1910 proof). Houve, nesse período, a primeira quebra do teor da prata, que foi reduzido.

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IMPLANTAÇÃO DA REPÚBLICA - 1910

Em 5 de Outubro de 1910 uma revolução põe fim ao regime monárquico e é implementada a República.
As antigas moedas continuam a ter curso legal e só em 22 de Maio de 1911, por Decreto de Lei, é criada uma nova unidade de contagem: O Escudo dividido em 100 Centavos.
Porém, só em 1912 é cunhada a primeira moeda de 50 centavos; seguem-se os 20 centavos em 1913 e os 10 centavos e 1$00 em 1915. A moeda em cobre tarda e é a época das cédulas de recurso emitidas pelas Câmaras Municipais e outras entidades.
Temos de esperar até 1917 para ver cunhado o primeiro centavo em bronze.

* TOSTÃO DE PRATA

Último tostão em prata de 835‰ com 20 mm de diâmetro e 2,50 gramas. Marquilha “10 CENTAVOS”. Apenas um tipo com data de 1915.

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* TOSTÃO DE CUPRO-NÍQUEL

Com 19 mm de diâmetro e 3,00 gramas. Marquilha “10 CENTAVOS”. Conhecidos dois tipos com datas de 1920 e 1921.

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* TOSTÃO DE BRONZE (1ª série) 

Com 22 mm de diâmetro e 4,00 gramas. Marquilha “10 CENTAVOS”. Conhecidos 6 tipos com datas de 1924, 1925, 1926, 1930, 1938 e 1940.

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* TOSTÃO DE BRONZE (2ª série) 

Com 17,5 mm de diâmetro e 2,00 gramas. Marquilha “X CENTAVOS”. Conhecidos 31 tipos com datas de 1942 a 1969.
Apenas nesta série, moedas de X e XX centavos, aparecem de novo os algarismos romanos.

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* TOSTÃO DE ALUMÍNIO

Com 15 mm de diâmetro e 0,50 gramas. Marquilha “10 CENTAVOS”. Conhecidos 11 tipos com datas de 1971 a 1979.

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BIBLIOGRAFIA:

MOEDAS PORTUGUESAS- Alberto Gomes, Lisboa, 2003
LA NUMISMATIQUE EM 10 LEÇONS - P. Perriere / P. Colombani, Paris, 1979
HISTORIA DEL DINERO – E. Victor Morgan, Madrid, 1972

O TOSTÃO NO BRASIL

Já no Brasil, o tostão teve uma vida efêmera, em relação ao seu irmão português. Circulou por "apenas" 108 anos, a contar com a criação do padrão Cruzado, imitado das moedas portuguesas.

Surge então em 1834, o segundo padrão monetário que o Brasil conheceu, o padrão dos "cruzados".
Esse padrão vinha atender a necessidade de moedas de prata que possuíssem um valor mais alto, e era nítidamente inspirado nos antigos valores dos cruzados portugueses: 100, 200, 400, 800 e 1200 réis.

* TOSTÕES DE D. PEDRO II

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(100 réis 1837 (tostão), peso 2,2 gramas, prata 0,917)

Ano  - Cunhagem
1834 - 7.709 exemplares
1835 - Incerta
1836 - 5.592 exemplares
1837 - 9.562 exemplares
1840 - 910 exemplares
1844 - 3 ou 4 exemplares conhecidos (extremamente rara)
1846 - 4.699 exemplares
1847 - 682 exemplares
1848 - 482 exemplares

* TOSTÃO DE NÍQUEL - FUNDO LISO E FUNDO LINHADO

Decreto n° 1.817, de 3 de setembro de 1870: autoriza a cunhagem das moedas de $50, $100 e $200 de uma liga composta de 25% de níquel e de 75% de cobre, respectivamente pesando respectivamente 7, 10 e 15 gramas; e de prata de $500, 1$000 e 2$000 com o título de 917 milésimos, e pesos respectivos de 6,37, 12,75 e 25,5 gramas; desmonetiza todas as moedas de prata com o título de 0,900 milésimos e todos os $200 emitidas até então; determina também que as moedas de níquel fossem fabricadas na Casa da Moeda da Bélgica, assim como na Casa da Moeda do Império.:

"Art. 2º - As moedas de prata que se cunharem d'ora em diante terão os valores de 2$000, 1$000 e $500 , o toque de 0,917 e os pesos seguintes: as de $ 2000 , 25,5 gramas; as de $ 1000 , 12,75 gramas e as de $ 500, 6,37 gramas.
Parágrafo único: São desmonetizadas as moedas de toque 0,900 e todas as de 200 réis do mesmo metal." 

O Decreto nº 1.837, de 27 de setembro de 1870: autoriza o Governo a gastar a quantia de 450:000$000 para cunhar e por em circulação cem mil quilogramas de moedas de níquel.

O Decreto nº 4.822, de 18 de novembro de 1871, determina os pesos, títulos e módulos das moedas de prata e de níquel autorizadas pelo Decreto nº 1.817, de 3 de setembro de 1870.

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*Tostão de fundo liso - Acervo do colecionador Ítalo Rosal 

Ano  -  Cunhagem
1871 - 4.000.000
1872 - Sem estimativa
1873 - Sem estimativa
1874 - Sem estimativa
1875 - Sem estimativa
1876 - Sem estimativa
1877 - Sem estimativa
1878 - Sem estimativa
1879 - Sem estimativa
1880 - Sem estimativa
1881 - Sem estimativa
1882 - Sem estimativa
1883 - 2.709.000
1884 - Sem estimativa
1885 - Sem estimativa



*Tostão de fundo linhado - Foto da Internet

Ano  -  Cunhagem
1886 -    876.000
1887 - 1.061.000
1888 - 1.479.000
1889 -    862.000


PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA - 1889

Proclamada a República, em 1892 reaproveitaram o desenho e os cunhos das antigas moedas do Império até então vigente (100 e 200 réis), mudando os dizeres "Decreto nº 1817 de 3 de setembro de 1870" para "Ordem e Progresso - 15 de Novembro de 1889", em uma alusão à data de proclamação e o dístico adotado da escola Positivista fundado por Augusto Comte e amplamente adotado pelo governo, num resumo da frase "O amor por Princípio, a Ordem por Base e o Progresso por Fim" e o novo selo de armas nacionais adotado pelos republicanos com o céu ostentando o Cruzeiro do Sul ladeado pela frase "República dos Estados Unidos do Brazil". Apesar de trazer a data de 1889 a 1900, começou-se a cunhar a partir de 1892, com data retroativa a esse ano. Existem apenas em fundo linhado.


Ano  -  Cunhagem
1889 - 7.685.500
1893 - 3.589.000
1894 - 1.881.000
1895 - 2.308.000
1896 - 3.390.000
1897 - 2.875.000
1898 - 3.685.000
1899 - 2.990.000
1900 -    539.000


* TOSTÃO DE 1901

Na produção estrondosa das moedas de 1901 (as primeiras e únicas onde a era é expressa em algarismos romanos - MCMI), todas cunhadas fora do Brasil (Alemanha, Inglaterra, Áustria, França e Bélgica), foram desenhadas pelo francês Paulim Tasset (1839-1919) uma série de 100, 200 e 400 réis (1, 2 e 4 tostões).

 

Ano  -  Cunhagem
1901 - 18.750.000

* TOSTÃO DA REPÚBLICA - A partir daqui em Cupro-Níquel

Cunhado em série de 20, 50 100 200 e 400 réis, de 1918 a 1935

  

Ano  -  Cunhagem
1918 -    600.000
1919 - 1.219.000
1920 - 1.251.000
1921 -    853.000
1922 -    347.000
1923 -    956.000
1924 - 1.478.000
1925 - 2.502.000
1926 - 1.807.000
1927 - 1.451.000
1928 - 1.514.000
1929 - 2.503.000
1930 - 2.398.000
1931 - 2.500.000
1932 -    948.000
1933 - 1.314.000
1934 - 3.624.000
1935 - 3.442.000

* TOSTÃO DA SÉRIE VICENTINA (Comemorativa do 4º Centenário da Colonização do Brasil)     

Série cunhada em 1932, alusiva ao quarto centenário do início da colonização do Brasil, a começar pela Capitania de São Vicente nos valores de 100, 200, 400, 500, 1000 e 2000 réis, com motivos luso-brasileiros, sugeridos pelo Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo.
Moeda De 100 Réis - Comemorativa / Série Vicentina - 1932 Moeda De 100 Réis - Comemorativa / Série Vicentina - 1932

Ano  -  Cunhagem
1932 - 1.012.214

* TOSTÃO DA SÉRIE "BRASILEIROS ILUSTRES"

Série feita entre 1935 a 1938, o tostão dessa série saiu entre 1936 e 1938. Demais valores da série são além o de 100 réis, o de 200, 300, 400, 500, 1000 e 2000 réis, tendo no tostão o Almirante e Marquês de Tamandaré (1808-1897), Visconde de Mauá (1803-1889), Carlos Gomes (1836-1896), Oswaldo Cruz (1872-1917), Diogo Feijó (1784-1843), Padre José de Anchieta (1534-1597) e Duque de Caxias (1803-1880), respectivamente.


Ano  -  Cunhagem
1936 - 2.078.500
1937 - 7.905.000
1938 - 8.617.500

* TOSTÃO DA SÉRIE  "GETÚLIO VARGAS"

Série cunhada entre 1938 a 1942 que encerrou o ciclo do tostão, com a saída do padrão Mil-Réis e entrando em vigor o Cruzeiro no mesmo ano de 1942.

Essa série foi uma espécie de propaganda do Estado Novo, divulgando a efígie do presidente Getúlio Vargas (1883-1954), então no poder desde 1930.

Fotos de Moeda de 100 Réis de 1940 Getulio Vargas CuNi MBC/S São Paulo  

Em 1942, devido a o esforço de guerra, foi adicionado um teor maior de cobre na mistura com o níquel, dando uma coloração rósea às moedas que circularam nesse ano:

100 Réis (getúlio Vargas) - 1942 - Mbc 100 Réis (getúlio Vargas) - 1942 - Mbc

Ano  -  Cunhagem
1938 - Sem estimativa
1940 - Sem estimativa
1942 - 1.285.000 (Níquel Rosa)