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Rasgar dinheiro é profissão na Casa da Moeda


Atividade é exclusivamente feminina e emprega 38 pessoas na instituição; cédulas com defeito são destruídas em um triturador

ESPECIAL DIA INTERNACIONAL DA MULHER DINIZ NUMISMÁTICA


Rasgar dinheiro nem sempre é coisa de maluco. Faz parte da profissão de 38 mulheres que trabalham na Casa da Moeda. Elas conferem a impressão das cédulas, procurando manchas, rabiscos e outras falhas. Quando encontram defeitos, colocam as notas problemáticas no triturador. Basta um pequeno erro, ainda que localizado em apenas uma cédula, para inutilizar uma folha de papel inteira contendo 50 notas impressas. 
“Não é só doido que rasga dinheiro não!”, brinca Alessandra Távora, que trabalha há quase 15 anos no setor de Crítica de Cédulas da Casa da Moeda. Com milhares de notas nas mãos, Alessandra aponta falhas quase que imperceptíveis no papel, como num jogo de sete erros de nível avançado.
Pelo setor no qual Alessandra trabalha passam cerca de 250 mil folhas diariamente, num total de 12,5 milhões de cédulas.
Rosana Mello, que trabalha ao lado de Alessandra, arma leques de cédulas enquanto inspeciona as notas. Neste processo, repetido por todas as funcionárias do setor, algumas folhas acabam sendo rasgadas sem intenção, mas em raros casos. “Nosso índice de erros é muito baixo, de apenas 0,89% de toda a produção”, afirma Amilcar Magalhães, chefe do Departamento de Produção de Cédulas da Casa da Moeda.
Só mulher entra
Cabe somente a mulheres a função de encontrar defeito no dinheiro. “As mulheres têm um carinho maior, são mais perfeccionistas no que fazem”, diz Magalhães. “Historicamente este setor, de inspeção das notas, emprega mulheres. Tentamos colocar homens mas não deu certo.”
Depois de inspecionadas, as folhas perfeitas são numeradas. Em seguida, passam por guilhotinas, que as formatam no devido tamanho. O técnico Clayton Silva é um dos poucos funcionários da Casa da Moeda que pegam a cédula pronta para a distribuição. “Enquanto estou aqui trabalhando não vejo essas notas como dinheiro; vejo-as como produto”, diz. “Mas, quando saio do trabalho e abro a carteira para pagar alguma coisa, penso: eu fiz isso.”